Novo auxílio emergencial de Bolsonaro não paga nem uma cesta básica, segundo Dieese


O novo auxílio emergencial que o governo Bolsonaro vai pagar a quem perdeu renda com a pandemia do coronavírus não consegue nem comprar uma cesta básica, segundo levantamento do Dieese.

O valor foi reduzido dos R$ 600 aprovados pelo Congresso para as primeiras parcelas para R$ 300. Na cidade de São Paulo, a cesta básica em agosto custava R$ 539,95. Ela subiu 2,9% sobre julho e 6,6% no ano, de acordo com o levantamento mensal feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. E já há sinais de que tenha aumentado mais ainda.

O Dieese pesquisa o valor da cesta básica em 17 capitais. O valor de São Paulo é o mais alto encontrado. O mais baixo é em Aracaju: R$ 398,47. E nem na capital sergipana o novo auxílio cobre a cesta básica completa, segundo o levantamento da instituição.

Nos últimos dias, internautas têm compartilhado que o preço do saco de arroz de 5 kg chega a custar R$ 60. Ou seja, 20% do novo auxílio de Bolsonaro.

A situação fica ainda mais dramática quando se observa outro estudo, esse do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ele mostra que, em julho, o auxílio foi a única renda obtida em 4,4 milhões de domicílios no país.

A economista Patrícia Lino Costa, do Dieese, aponta que a redução do auxílio emergencial nesse momento “vai tirar renda de circulação da periferia”. E sem estimativa de que a situação vá melhorar para essa população. “Não tem horizonte de que Brasil vai crescer e que ocupações vão ser geradas. Não tem linha de ação do governo pensada para isso”, afirmou.

Supervisora da produção técnica do Dieese, Costa lembra que a cesta está aumentando, mas não é o único gasto dessas famílias que estão dependentes do auxílio. “Quanto subiu a luz, a água, o gás nos últimos 12 meses?”, questiona. “Isso pune ainda mais as pessoas de baixa renda.”

Para ela, a redução do auxílio terá consequências sociais imensas. “Um país em que se deixou de dar importância ao salário mínimo”, completa.

Carne de 2ª para pobre
A economista lembra que a carne já vem subindo de preço desde o início do ano. “As pessoas empobreceram e passaram a comer carne de 2ª e outros tipos para substituir a carne bovina de 1ª”, analisa.

Segundo Costa, a cotação do dólar a R$ 5 favorece a exportação. Isso explica não só a elevação do preço da carne como de outros produtos, como o óleo de soja.

“Há um volume imenso de exportação da soja brasileira e, com ela, seus derivados”, explica. Além disso, pontua a economista, uma parte do óleo que fica no país é usada na produção de biocombustível. “Assim, começa a faltar internamente e sobra para o bolso do consumidor.”

Já a alta do preço do arroz se explica, segundo a economista, com uma combinação de fatores: estiagem, entressafra e estoque por parte dos produtores, que estão buscando preços melhores para vender o cereal. Prepare-se: ele não fica com preço menor tão cedo.

Sem políticas públicas
“Em vez de ficar gritando ‘patriotismo’, o governo podia pensar políticas que subsidiassem o alimento”, disse Costa. O presidente Jair Bolsonaro disse que ia pedir “patriotismo” a varejistas para não elevarem os preços dos produtos mais básicos, como arroz, feijão, óleo e carne.

 Corte no Imposto de Importação, compra de parte dos produtos no exterior por parte do governo e venda a preços menores no mercado interno e estímulo à agricultura familiar para aumentar produção nacional são alguns dos exemplos mencionados pela especialista.

Na avaliação dela, a economia brasileira já vinha em rota ruim, mas piorou para os trabalhadores com o atual governo. “Está  mais que provado que o governo tem lado.”

Fonte: Revista Forum