Bahia reintegra Ramírez após perícia contratada pelo clube descartar racismo

 

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O Bahia anunciou nesta quinta-feira (23) que vai reintegrar ao elenco o jogador Juan Ramírez, acusado de injúria racial. A decisão foi divulgada em uma extensa carta na qual o clube trata do racismo na sociedade e no futebol e se compromete a tomar medidas práticas para combatê-lo.


O colombiano foi denunciado por Gerson, do Flamengo, por supostamente ter dito "cala a boca, negro" durante o duelo entre as equipes no domingo (20).

O time nordestino havia afastado o atleta até o fim de sua apuração interna. O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) ainda analisa o caso, assim como a Delegacia de Crimes Raciais do Rio de Janeiro, na qual Gerson prestou depoimento na última terça (22).


"Os laudos das perícias em língua estrangeira contratadas pelo Bahia não comprovam a injúria racial e o clube entende que, mesmo dando relevância à narrativa da vítima, não deve manter o afastamento do atleta Índio Ramírez ante a inexistência de provas e possíveis diferenças de comunicação entre interlocutores de idiomas diferentes", afirma o clube baiano.


Um laudo de especialistas em leitura labial contratados pelo clube baiano, no entanto, concluiu, a partir de imagens da partida, que Ramírez não disse a palavra "negro".


A investigação da equipe baiana confronta Rodrigo Abranchees, vice-presidente jurídico do Flamengo, que afirmou ter um laudo de especialistas que comprovaria a injúria racial contra outro atleta do clube, o atacante Bruno Henrique. Este, através de sua assessoria, disse não ter escutado a ofensa vinda de Ramírez.


Especialistas consultados à pedido do site GloboEsporte.com também identificaram a injúria racial.


Na intitulada "Carta à Sociedade", o Bahia se compromete a incluir uma cláusula antiracista, xenofobia e homofobia no contrato dos atletas, além de propor a criação de um protocolo antidiscriminatório para o futebol brasileiro e a criação de um programa de conscientização sobre racismo estrutural voltado para os jogadores, entre outras medidas.


O clube afirma ainda que a decisão foi tomada em conjunto com o Núcleo de Ações Afirmativas, departamento voltado a ações sociais e que dialoga com o movimento negro e outros.


Ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, afirmou não ter dúvidas de que Gerson ouviu a palavra "negro", mas sim se Ramírez o disse. Declarou também ter visto imagens do jogo e que, caso seja comprovada a injúria, será uma mancha para a história do clube.


Fonte: Folhapress