Confira o que se sabe sobre o coronavírus até agora

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Com alto grau de transmissão, capaz de contaminar cerca de 9,7 mil pessoas em todo mundo, o novo coronavírus não é exatamente uma infecção que surgiu agora. O atual parasita que resultou em 213 mortes – todas elas na China, país onde a doença começou a se espalhar em dezembro do ano passado – vem de uma variação da família viral coronavírus. De acordo com o Ministério da Saúde, esse grupo, identificado na década de 1960, é a mesma origem de outros surtos registrados nos últimos anos, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).

Assim como a Influenza, família viral da gripe e do H1N1, as doenças causadas pelo grupo coronavírus apresentam sintomas como tosse, dores no corpo, dificuldade para respirar e febre. “O Influenza tem vários tipos e o coronavírus se comporta de maneira semelhante. Contamina animais basicamente, e acidentalmente tem a contaminação de humanos. Quando contamina humanos, a transmissão entre as pessoas não tem uma força tão grande. Por isso que, nas epidemias anteriores de coronavírus, você não teve uma situação de pandemia. O que acontece com o novo coronavírus é que ele sofreu uma mutação e essa transmissão está sendo mais eficaz”, explica o infectologista Demetrius Montenegro, do Hospital Oswaldo Cruz (Huoc).

O Huoc, com o Correia Picanço, no bairro da Tamarineira, será um dos centros de referência para onde serão levados os pacientes se houver alguma notificação em Pernambuco, que até o momento não registrou nenhuma suspeita. No País, estão sendo investigados nove casos nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Ceará. Na última quinta-feira, o secretário estadual de Saúde, André Longo, disse que a rede pública está preparada para alguma ocorrência que possa aparecer. “Todo o planejamento dos estados está sendo alinhado com o Ministério da Saúde. Nós estamos em alerta”, declarou.

Enquanto se planejam ações para evitar o contágio pelo mundo, cientistas buscam esclarecer como o vírus se transmutou e quais animais teriam infectado os primeiros pacientes na China. “O que se sabe é que os primeiros casos tinham em comum terem se alimentado no mercado de pescados e frutos do mar de Wuhan (cidade chinesa onde surgiu a epidemia). Mas não era só isso que estavam vendendo lá. Tinha animais vivos também. Fala-se em sopa de morcego, mas nada foi definido”, adverte Demetrius Montenegro.

Carnaval
Um ponto que preocupa a população é o aumento no fluxo de pessoas no Carnaval de Olinda e Recife, que no ano passado recebeu cerca de 3,4 milhões de foliões. De acordo com o Governo do Estado, o Ministério da Saúde não recomendou até agora um protocolo específico para a festividade. Enquanto isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável pelo monitoramento nos aeroportos e as prefeituras acompanham a situação para montar as próprias estratégias.

O secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, que participou de uma reunião com gestores das redes pública e privada na última quinta-feira, diz que também seguirá as orientações do Governo Federal e da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Reunimos as áreas estratégicas, envolvendo um exercício, por exemplo, de previsão da aquisição de insumos, verificação dos estoques de máscaras e gorros que serão utilizados pelos profissionais de saúde. Estamos desenvolvendo aulas e materiais educativos”, afirma. Em Olinda, o prefeito Lupércio revelou que avalia fazer bloqueios “nos principais pontos”. “Vai ter toda orientação e também um trabalho preventivo”, garantiu.

Fonte:  Artur Ferraz