Ex-policiais russos são condenados por 'plantar' droga para prender repórter

Foto: Divulgação


 Cinco ex-policiais russos acusados de terem escondido drogas nos pertences do jornalista investigativo Ivan Golunov, para prendê-lo, foram condenados, nesta sexta-feira (28), a penas de entre cinco e 12 anos de prisão - informou a imprensa russa.


O policial que arquitetou o plano, Igor Lajovedts, foi condenado a 12 anos, e três ex-colegas, a oito anos de prisão. Denis Konovalov, o único a admitir os fatos, foi sentenciado a cinco anos de detenção.


Todos eles deverão, ainda, pagar à vítima um milhão de rublos (US$ 13.300).


A prisão de Ivan Golunov, jornalista do veículo investigativo on-line Meduza, gerou uma forte mobilização social em junho de 2019 e expôs, de forma flagrante, a corrupção das forças de segurança russas.


O jornalista foi detido em Moscou por policiais que alegaram ter encontrado uma quantidade significativa de drogas em sua mochila e em sua casa. 


O repórter acabou sendo solto cinco dias depois, após uma mobilização sem precedentes da imprensa, de cidadãos e até de algumas figuras das elites russas. 


Os cinco policiais foram demitidos, detidos e acusados de abuso de poder, de falsificação e de tráfico de drogas, entre outros crimes.


Segundo a acusação, eles adquiriram a droga ilegalmente a droga e a "plantaram" na casa do jornalista.


Golunov fez matérias investigativas sobre a corrupção na prefeitura de Moscou e sobre supostos desvios de dinheiro em diferentes setores - do microcrédito ao funerário.


Com sede em Riga, na Letônia, o veículo para o qual ele trabalha pode estar com seus dias contados, já que as autoridades russas o enquadraram, no final de abril, como um "agente estrangeiro". O termo é reservado para organizações financiadas com fundos estrangeiros e normalmente críticas do Kremlin.


Fonte: AFP

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