Homem mata 12 pessoas a tiros em edifício público nos EUA

Foto: Eric Baradat / AFP

Um funcionário municipal de uma cidade da costa leste dos Estados Unidos abriu fogo na sexta-feira (31) dentro de um edifício público, matando 12 pessoas antes de ser abatido pela polícia. Esta nova tragédia num país marcado pela violência das armas de fogo, ocorreu em Virginia Beach, uma cidade de 450 mil habitantes situada a cerca de 300 km ao sul de Washington.

"Temos agora 12 pessoas mortas", anunciou o chefe da polícia local, James Cervera. Uma das vítimas "faleceu a caminho do hospital", quatro feridos foram levados pelos socorristas e outras pessoas procuraram socorro por conta própria, segundo Cervera. As autoridades não informaram o nome e as motivações do agressor

O massacre ocorreu pouco depois das 16H00 locais (17H00 de Brasília), quando o homem armado, "um funcionário de longa data" do município, entrou em dos prédios do complexo administrativo da cidade de Virginia Beach e "de imediato começou a disparar indiscriminadamente", relatou Cervera. 

Uma das vítimas morreu do lado de fora do prédio, perto de seu automóvel. As demais foram encontradas nos três andares do imóvel. "Ele atirou em seguida contra a polícia", que respondeu ao ataque e matou o agressor em um tiroteio. Um policial sobreviveu graças ao colete à prova de balas.

De acordo com o chefe de polícia, o atirador estava com uma pistola de calibre 45 com silenciador, que ele recarregou diversas vezes. "Os agentes impediram que o indivíduo cometesse um massacre ainda maior no prédio, que pode receber até 400 pessoas", disse Cervera. Ao ser informado sobre o crime, o presidente Donald Trump "passou a acompanhar a situação", segundo a Casa Branca.

 "Zona de guerra" 

No local do ataque, que de acordo com o chefe de polícia parecia uma "zona de guerra", as autoridades encontraram a arma e vários carregadores vazios. Megan Blanton, de 30 anos, estava no prédio quando tudo começou. "Me pareceu uma eternidade", disse ao jornal local The Virginian-Pilot.

Arthur Felton conseguiu sair do edifício no início do tiroteio. "Nunca pensei que passaria por algo assim", disse o funcionário municipal ao jornal. "As pessoas que foram atingidas... tenho certeza que conheço a maioria delas". 

"É simplesmente um dia atroz (...) Estamos com as vítimas e suas famílias", disse à imprensa o governador da Virgínia, Ralph Northman, ao anunciar que vai ao local do ataque. O prefeito de Virginia Beach, Bobby Dyer, afirmou que se trata "do dia mais catastrófico da história da cidade".

Nascido neste balneário, o cantor Pharrell Williams escreveu no Twitter: "Estamos orando por nossa cidade, as vidas perdidas, suas famílias e todos os afetados". "Estou destroçado", postou na mesma rede social o senador democrata por Virginia Tim Kaine. "Meu coração está junto de todos aqueles que perderam um ser querido", acrescentou o político que foi vice na campanha de Hillary Clinton nas eleições presidenciais de 2016.

O estado sede da NRA 

Os Estados Unidos registram com frequência tiroteios similares. No dia 20 de abril, o país recordou o 20º aniversário do massacre na escola Columbine, no Colorado, quando dois alunos mataram 12 colegas e um professor a tiros.

Num país em que o porte de armas está garantido pela segunda emenda da Constituição, desde o início deste ano foram registrados mais de 150 ataques com arma de fogo com mais de quatro vítimas (mortos ou feridos), segundo a Gun Violence Archive, uma ONG especializada em violência com armas de fogo.

Na Virgínia, a questão toma uma dimensão particular, por ser o estado onde fica a sede da Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês), o principal lobby nacional das armas. 

O estado tradicionalmente conservador, mas onde o Partido Democrata cresce em influência à medida que avança a urbanização e sua população se diversifica, foi palco em 2007 de um ataque particularmente violento, quando um estudante com distúrbios mentais assassinou 32 pessoas no campus da universidade Virginia Tech. A cada tiroteio, o debate sobre a regulamentação das armas de fogo retorna ao noticiário.

Fonte: AFP